Dialetos da Cidade

Agora que você já sabe o que e como dizer, só falta saber onde usar e praticar o nosso dialeto. Lugar é o que não falta, a cidade tem mais de 70 nacionalidades, que influenciaram o modo de falar local, além de concentrar imigrantes de todas as regiões do Brasil, que também deixaram suas marcas em nosso modo de falar.

 

Confira abaixo as principais regiões com um jeitinho único de falar. Para informações de localização das regiões, você pode conferir no nosso mapa do Paulistanês no Google Maps.

Bom Retiro

Sesc Bom Retiro/Marcus Vinícius dos Santos/Divulgação

Créditos: Sesc Bom Retiro/Marcus Vinícius dos Santos/Divulgação

Outro bairro marcado pela grande quantidade de imigrantes é o Bom Retiro, no Centro-Norte de São Paulo. Por lá os coreanos são maioria, além de serem também a maior concentração do Brasil, e palavras e sotaques característicos do país de origem como hangul (sistema de escrita coreano), hyung (irmão ou amigo mais velho de um rapaz), “omo/omona” (expressão de espanto, similar a nossa, eita, ai meu deus), entre outros.

25 de Março e região

Caio Pimenta/SPTuris

Créditos: Caio Pimenta/SPTuris

Apesar de, hoje, o centro de São Paulo ser composto por imigrantes de várias partes do mundo, antigamente a comunidade sírio-libanesa era a maioria da região. Depois de desembarcar e inaugurar o comércio por décadas na região da 25 de março e redondezas, os imigrantes árabes levaram sua cultura e palavras típicas de seu cotidiano , como Shukran (obrigado), Habib (querido), InshAlah (se deus quiser, deus me livre), Khalas, entre outros, para várias partes de São Paulo.

Higienópolis

Caio Pimenta/SPTuris

Créditos: Caio Pimenta/SPTuris

No Higienópolis, devido à grande quantidade de imigrantes judeus, há muitas palavras usadas no dia-a-dia judaico, como kosher (alimentos/produtos que seguem às leis Cashrut), quipá (chapéu de formato hemisférico), menorá (candelabro de sete braços), Rosh Hashaná (Ano Novo judaico), entre outros.

Liberdade

José Cordeiro/SPTuris

Créditos: José Cordeiro/SPTuris

A região da Liberdade, no centro de São Paulo, é composta por uma população predominantemente imigrante ou descendente de japoneses e chineses. Lá é possível escutar palavras inusitadas e usadas cada vez mais como verbetes do Paulistanês, como gomen (desculpa), arigato (obrigado), kawaii (bonitinho), onegai (por favor), soborô (é a palavra “sobrou” com um sotaquezinho japonês, que se refere aos pratos caseiros feitos com sobras), ne (né), entre outros.

Kawaii desu ne

Academia

Academia 24horas/divulgação

Créditos: Academia 24horas/divulgação

Muitas vezes, as palavras do paulistanês são usadas dependendo de onde o falante se encontra, como por exemplo os verbetes utilizados nas academias, que possuem um significado único: animal (pessoa com corpo sem definição, porém volumoso e muito forte), bolado (corpo maior do que o normal), fitness (corpo definido, mas com pouco volume), trincado (também se refere ao corpo definido ou também ao abdômen),  frango (frequentador de academia que não se esforça, dá migué na hora de treinar).

Pari

BrasilBolívia/reprodução

Créditos: BrasilBolívia/reprodução

No Bairro do Pari, centro-leste de São Paulo, a concentração de imigrantes bolivianos é tanta que aos domingos, quando acontece a Feira Kantuta, parece um pedaço da Bolívia no Brasil. Lá é possível ouvir alguns falantes do Paulistânes com vestígios do espanhol boliviano, além de expressões únicas.

Brás, Mooca, Bixiga e Barra Funda

Caio Pimenta/SPTuris

Créditos: Caio Pimenta/SPTuris

Nos bairros do Brás, Mooca, Bixiga e Barra Funda é marcante a influência da língua italiana no jeito de falar de seus moradores. Não só na fala, mas na música também, pois é de lá (da Mooca), que viveram grandes artistas brasileiros como Adoniran Barbosa e Demônios da Garoa. É normal ainda hoje encontrar palavras que foram adotadas ao português, como: amore mio (meu amor), ciao (oi/tchau), capiche (entendeu?), maledeto (maldito), mamma mia (minha mãe) e  ma va (é verdade mesmo?), porca miseria, entre outros.